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‘Não precisava chegar a esse ponto’, diz filha de mulher atingida por PM com tiro à queima roupa em MG

 Gisele Gomes lamentou a postura do policial militar de Passos (MG) que atirou à queima roupa contra a mãe dela, Maria Célia de Jesus Gomes, de 49 anos. Ela disse acreditar que o responsável pelo disparo “preferiu fazer isso” com a vítima, que segue internada em estado estável após passar por cirurgia.

“Minha mãe não precisava disso, de chegar até esse ponto de ser atingida por uma bala. Não era necessário, porque ela não estava causando risco para ninguém. Eles [policiais] são preparados para defender, então era só falar para chegar para trás, para não chegar perto. Mas, não, ele [policial] preferiu fazer isso com ela”, disse Gisele Gomes.

Maria Célia de Jesus Gomes, de 49 anos, passou por uma cirurgia no intestino e já se encontra em um quarto clínico da Santa Casa. — Foto: Arquivo Pessoal

Maria Célia de Jesus Gomes, de 49 anos, passou por uma cirurgia no intestino e já se encontra em um quarto clínico da Santa Casa. — Foto: Arquivo Pessoal

O marido da vítima, Adriano José Rodrigues, disse que a esposa apenas se aproximou dos policias quando eles estavam efetuando a prisão do filho do casal, suspeito pelo crime de extorsão mediante sequestro.

“A Maria Célia escutou dois disparos de arma, saiu, descendo e perguntou o que estava acontecendo. Ao aproximar mais do policial, ela perguntou: ‘o que está acontecendo? É meu filho que está ali, deixa eu ver’. O policial apenas vira e efetua o disparo”, falou Adriano.

Ele ainda narrou que não conseguiu fazer o boletim de ocorrência (BO) do disparo efetuado pelo policial. Segundo Adriano, a Polícia Militar disse a ele que o caso já estava registrado no BO referente à prisão.

“Eu aleguei que eu queria fazer o BO de disparo em cima da minha esposa, não o BO do ocorrido [prisão do filho]. Eu queria fazer o BO sobre o disparo em cima da minha esposa. Ela falou que não podia fazer o BO, porque já estava pronto e estava relatando tudo. Por isso eu não podia fazer o BO”, narrou.

Gisele Gomes e Adriano José Rodrigues, filha e esposo da mulher atingida por tiro de PM em Passos (MG) — Foto: Reprodução/EPTV

Gisele Gomes e Adriano José Rodrigues, filha e esposo da mulher atingida por tiro de PM em Passos (MG) — Foto: Reprodução/EPTV

O que diz a Polícia Militar

O filho da vítima, Vinicius Péricles de Jesus Gomes, de 21 anos, foi preso suspeito de cometer o crime de extorsão mediante sequestro e encaminhado ao Presídio de Passos.

Conforme nota oficial enviada à EPTV, afiliada Rede Globo, a Polícia Militar de Minas Gerais instaurou um procedimento administrativo para apurar a atuação do policial militar. “O prazo segue o devido processo legal previsto pelo código penal militar e instruções internas. Não houve afastamento do militar de suas funções”, disse a PM.

A Polícia Militar informou que durante a prisão de um dos autores, o jovem de 21 anos, houve uma resistência dele e também por parte dos familiares e que eles teriam conseguido tirar a arma das mãos dos militares, sendo então necessário o uso moderado da força, com disparo de arma de menor potencial ofensivo, no caso a bala de borracha, que atingiu a mãe do autor na altura do abdômen.

Policial militar atira à queima roupa em mulher durante prisão do filho dela em Passos (MG) — Foto: Reprodução/EPTV

Policial militar atira à queima roupa em mulher durante prisão do filho dela em Passos (MG) — Foto: Reprodução/EPTV

O que diz a Polícia Civil

As imagens que circulam nas redes sociais mostram o momento em que o policial militar atirou à queima roupa na mulher, enquanto o filho dela era abordado pela polícia. Logo depois, ela sai andando e é amparada pelo marido. A mulher foi socorrida pelos próprios policiais até o hospital.

"A Polícia Civil durante esta semana tomou conhecimento do crime que ocorreu na zona rural de Passos, foram presos quatro indivíduos e atuados em flagrante pelo delito de extorsão mediante sequestro, roubo e porte de armas. A princípio, há várias diligências a serem elucidadas e realizadas para melhor apuração dos fatos", disse o delegado Matheus Ponsancini.

O delegado disse ainda que em relação à conduta dos militares, deverá ser analisado se o crime é de atribuição da Justiça comum ou da Justiça Militar.


Fonte: https://g1.globo.com/mg/sul-de-minas/noticia/2021/08/17/nao-precisava-chegar-a-esse-ponto-diz-filha-de-mulher-atingida-por-tiro-a-queima-roupa-por-pm-em-mg.ghtml

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